Manutenção não é plantão: o que um contrato de sustentação cobre
Felipe Rico Gazapina
CEO LYPES Agency
Contrato de sustentação não é help desk. Não é o dev de plantão apagando incêndio. Um contrato bem desenhado cobre coisas específicas, com prazos definidos, e diz claramente o que fica de fora.
A confusão entre suporte e sustentação desgasta os dois lados. Cliente acha que pagou por tudo. Agência acha que combinou o básico. Os dois saem frustrados.
O que entra na sustentação
Sustentação é sobre integridade do sistema. Três categorias principais:
- Corretiva. Quebrou? Parou de funcionar? Entra. Prazo de resposta por gravidade.
- Preventiva. Monitoramento, atualização de segurança, backup, rotação de log. O que evita a corretiva.
- Suporte operacional. Dúvida sobre funcionalidade existente. Ajuste pequeno que não muda escopo.
O que separa um contrato bom de um genérico: SLA por severidade. Bug crítico (sistema fora do ar) em 4 horas. Bug menor em 2 dias úteis. Sem SLA escrito, tudo vira urgente.
O que fica de fora (e precisa estar no contrato)
O contrato saudável lista o que não cobre:
- Manutenção evolutiva. Funcionalidade nova, regra de negócio diferente, integração nova. Isso é projeto.
- Migração. Trocar servidor, mudar banco, atualizar versão majoritária de framework.
- Hora não consumida. 20 horas mensais, usou 10. O saldo não acumula.
- Plantão 24x7. Só se estiver contratado separadamente, com valor próprio.
Se o contrato não lista exclusões, cada "só mais essa alteração" vira atrito.
O custo de não ter contrato
Sem sustentação definida, o cliente paga de duas formas:
- Hora avulsa. Resolver na urgência custa mais caro que SLA planejado.
- Time travado. Dev apagando incêndio não entrega melhoria. O sistema estagna.
Referência de mercado: 15-20% do valor de licença ou desenvolvimento por ano. Sistema de R$ 100 mil gasta entre R$ 15 e R$ 20 mil anuais de sustentação. Menos que isso? Alguém está cortando onde não devia.
Três perguntas pra saber se seu contrato presta
- Tem SLA por severidade? Se "sistema fora do ar" e "botão com label errada" têm o mesmo prazo, tem problema.
- Exclusões de escopo estão escritas? Cliente pediu tela nova — o contrato diz o que acontece?
- Tem limite de horas ou chamados? Preço fixo sem limite vira incentivo torto.
Se respondeu "não" pra qualquer uma, o contrato precisa de revisão.
Sustentação não é seguro genérico
É documento operacional. Define o que será feito, em quanto tempo, por quanto, e o que não será feito. Contrato claro evita surpresa pros dois lados.
Se você tem sistema rodando e não sabe o que cobre o contrato, revisa agora. Antes do próximo apagão, não depois.
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